Do autoextermínio à angústia social
a anomia social e o sofrimento psíquico na era digital
DOI:
https://doi.org/10.57108/iesj.2026.6-2.14Palavras-chave:
suicídio, anomia, sofrimento psíquico, Durkheim, sociedade digitalResumo
Este artigo retoma a interpretação de Émile Durkheim sobre o suicídio como fato social e investiga a utilidade da anomia para compreender formas de sofrimento psíquico ligadas à vida digital. A pesquisa é qualitativa e bibliográfica, construída a partir da obra O suicídio e de estudos brasileiros sobre saúde mental, adolescência, uso de internet, cyberbullying e vigilância epidemiológica. A leitura relacionou integração, regulação e pertencimento às experiências de exposição pública, comparação e busca de reconhecimento em plataformas digitais. O material consultado mostra que a presença constante em redes não garante vínculos protetivos. Em muitos casos, o usuário permanece cercado de interações, mas encontra pouca reciprocidade, referências instáveis e cobrança contínua por desempenho. Entre adolescentes, essa tensão se torna mais delicada porque a formação da identidade depende intensamente da aceitação do grupo, da escola e da família. O estudo também reconhece que a tecnologia oferece informação, apoio e aproximação entre pessoas, razão pela qual não pode ser tratada como causa isolada do adoecimento. A contribuição central está na leitura da anomia digital como combinação entre alta conexão, normas voláteis e fragilidade relacional. A teoria durkheimiana permanece pertinente quando articulada a dados atuais e a uma abordagem ética, capaz de relacionar sofrimento individual, organização social e redes de cuidado.
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